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Perspectiva de preparação do futuro e investimento inteligente

Segunda-feira, 15.01.18

 

 

Vivemos numa época de transição, e isto também se aplica ao sistema político. Com as actuais tecnologias científicas já não se justifica tantos obstáculos à optimização dos recursos colectivos. E neste momento o sistema político é mais obstáculo do que facilitador.

Os cidadãos não estarão disponíveis para continuar a pedalar em seco para alimentar um Estado lento, pesado e burocrático e uma subserviência a Bruxelas.

Continuarmos a ver o futuro ensombrado pela incapacidade de previsão dos actuais protagonistas políticos não é muito inspirador. Assim como a cultura que representam.

Vê-los juntos ou em alternância, também não me parece entusiasmante. Ambos partilham a prioridade "agradar a Bruxelas", ambos gostam de controlar tudo, ambos agirão com pouca transparência, a teimosia é um traço comum assim como a arrogância, um não é responsável pelas falhas o outro nunca perde eleições (= como um ex-PM que nunca se enganava).

 

A única área que correrá melhor é a ordem pública, a segurança, a prevenção. Para não continuar a revelar fragilidades, o governo estará mais atento e alerta. Dificilmente continuaremos a ouvir uma ministra da Justiça afirmar que a PJ identificou mais perfis de incendiários do que o número de incendiários presos, por exemplo. E na prevenção rodoviária, os pontos serão para valer e haverá cassação de cartas.

O apoio às vítimas, os prejuízos, a reconstrução, será outra prioridade. 

Também o SNS será uma área acarinhada a partir de agora. 

Quanto ao desperdício de dinheiro e de recursos no sistema bancário, essa é uma incógnita. No entanto, o fisco estará muito afinado, resta saber se apenas para os que não lhe podem escapar por não terem dimensão e advogados fiscais. E os recibos verdes continuarão a ver-se aflitos para perceber o "complex" em que os meteram. 

O que fica para trás, como sempre, pela cultura de "bloco central"? Exactamente. A educação, os professores, as escolas, as universidades.

 

E se isto for mesmo assim, não estaremos assim tão mal, pois não? 

Estaremos mesmo mal, é o que ouvimos recentemente a Vitor Bento, que nos devíamos estar a preparar para os desafios futuros, para não ficarmos completamente dependentes de fora, sem produzir. O mesmo não será dizer que é tempo da Economia, e não apenas das Finanças?

 

E nessa perspectiva de preparação do futuro, não são a saúde e a educação áreas fundamentais?

Nessa perspectiva de preparação do futuro, em vez de obrigar os contribuintes a enfiar dinheiro no sistema financeiro que não os reconhece como accionistas, um sistema que irá sofrer grandes abalos e mudanças, porque não incentivar o investimento em empresas produtivas, que os reconheceriam como accionistas?

Os montantes absurdos que este governo já enfiou nos bancos falidos deve ser exigido pelos contribuintes em investimento inteligente, a trazer retorno para a próxima geração, pelo menos.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:44

Autárquicas 2017: Santarém, onde o passado merece um futuro equilibrado e sustentável

Sábado, 09.09.17

 

 

A aconpanhar as Autárquicas 2017, tenho descoberto o seguinte: muitos independentes apresentam-se apoiados por partidos; começam a surgir jovens com motivação pela intervenção cívica; os melhores candidatos podem surgir de um qualquer partido, da esquerda à direita; verifica-se uma melhoria na comunicação entre os candidatos, com menos agressividade; a diversidade cultural está presente, 

No Twitter, tenho comentado os debates, uns na hora, outros dias depois :) como este, de Santarém, que gravei: "... interessante intervenção de Rocha Pinto, o candidato do CDS. Colaboração funcional possível: CDS com PSD e CDU. ... a candidata do BE tem ideias e pode ser uma vereadora virada para o futuro. Precisa de melhorar a comunicação. ... recupero a conclusão, CDS para a câmara, e colaboração funcional com PSD e BE."

Esta recuperação da conclusão revelou-se necessária porque fui comentando no Twitter à medida que ia acompanhando o debate. Aprendi a lição: o tempo do Twitter é demasiado sincopado para revelar o essencial. Assim, o candidato da CDU acaba por perder relativamente à candidata do BE, isto é, a candidata foi revelando a pouco e pouco as suas ideias, cultura de base, interacção. E está virada para o futuro.

 

É com algum conforto de alma que me apercebo que nem todos os candidatos autárquicos sofrem da megalomania cultural que nos trouxe tantos prejuízos. Muitos revelam bom senso, o que é refrescante, noção clara de equilíbrio possível entre o passado (história, património, comércio tradicional, etc.) e o futuro (ciência, tecnologia, etc.), ideias inovadoras e sustentáveis para resolver problemas e melhorar a qualidade de vida dos munícipes e, em simultâneo, o desenvolvimento da região.

 

O candidato do CDS parece ser o melhor preparado para assumir a responsabilidade da câmara. É na sua intervenção, calma e bem artiiculada, que vemos como o passado e o futuro se podem aqui encontrar e conviver, com benefício mútuo.

Acessibilidades: reconhecimento desta forte vantagem de Santarém, com a auto-estrada e a ferrovia. Proposta interessante de deslocar apenas a estação ferroviária, "na mesma linha e na mesma cantenária", para perto da zona comercial do CNEMA, centro nacional de exposições, onde existem parques de estacionamento, e onde se poderia fazer uma zona intermodal colocando, também ali, a rodoviária. Além de ficar igualmente próxima do aeródromo.

Reconhecimento da necessidade de melhorar as acessibilidades das freguesias do norte do concelho, Alcanede e Amiais, com a correcção do traçado das estradas, por se tratar de um obstáculo que permitiu que "fugissem para" a Azambuja e Alcanena diversas empresas, quando Santarém tem "melhores acessibilidades e pavilhões vazios". A sua posição geográfica no centro do país, e ligado a tudo o que é vias de comunicação, permite-lhe vir a ser "uma plataforma logística do país."

Mobilidade dentro da cidade: proposta de um elevador mecânico que ligue as zonas superior e inferior do planalto. 

Turismo: de cariz religioso, como o Santuário do Santíssimo Milagre, o património religioso da época medieval, o museu diocesano, não valorizado, e que faria parte dos objectivos a curto-prazo, "para alavancar o emprego".

Habitação no centro histórico, com legislação que facilite a sua reabilitação. A partir daí, o pequeno comércio e o comércio tradicional vai-se reanimar.

Um parque da cidade no terreno onde se realizavam as feiras, a limpeza da cidade, cuidar dos jardins. Algumas "pequenas coisas" que fazem muito pela qualidade de vida dos munícipes.

 

Enquanto o candidato do PSD, actual presidente, refere, ufano, as startups, a candidata do BE privilegia as pessoas e alerta para a ausência de informação sobre o tipo de trabalho que desenvolvem e as suas condições. Embora o presidente insista que há informação disponível, todos sabemos que há ainda uma certa opacidade na cultura de base de muitas startups.

A obra feita centra-se essencialmente no investimento na escola prática de cavalaria, onde estão inseridos vários serviços, incluindo a Startup Santarém - centro de inovação empresarial, e obras no centro histórico da cidade.

Agora falta uma visão integrada e virada para o futuro que não passe apenas pela cultura do desenvolvimento economicista.

 

A candidata do BE revela, a pouco e pouco, ter ideias interessantes e viradas para o futuro, mas precisa de melhorar a sua comunicação. É quem refere a importância de envolver os munícipes através do orçamento participativo, uma cultura comunitária, o ambiente, as ciclovias, a agricultura biológica, o aproveitamento turístico equilibrado e sustentável da zona ribeirinha com caminhos pedonais. 

Por isso a considerei como uma vereadora que pode colaborar, de forma positiva, na definição de áreas e na opção de estratégias, de um futuro que privilegia a qualidade em vez da quantidade.    

 

Concluindo, o projecto mais inteligente, equilibrado e sustentável, é o do candidato do CDS, que revela, além disso, o perfil mais adequado a presidente de câmara, que desenha o futuro de forma integrada e perspectivando-o em várias fases.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:38

Autárquicas 2017: Castelo Branco, onde ainda é possível o futuro desenhado pelas próprias populações

Domingo, 03.09.17

 

 

Assisti ao debate Autárquicas 2017 na RTP3 dos candidatos à câmara de Castelo Branco, moderado por André Macedo, que fui comentando sinteticamente no Twitter (@avidanaterra): "... Nem todo o investimento é interessante. A marca da região é a sua cultura riquíssima. ... o actual presidente do PS parece o mais preparado e receptivo a ouvir os munícipes. ... A candidata da CDU revela também estar bem informada sobre os obstáculos actuais ao desenvolvimento do concelho. ... o candidato do PSD refere as dificuldades do comércio da região vs produtos importados/grandes superfícies. ... seria óptimo se PS-PSD-CDU aqui formassem uma geringonça. Cultura+Economia+Emprego.

 

Nem todo o investimento é interessante: 

Gostei de ver o rosto perplexo do entrevistador (que é ágil, certeiro e objectivo), ao ouvir quatro dos cinco candidatos a favor de um turismo sustentável, mais vocacionado para o turismo cultural e de natureza, e acessível às pessoas comuns, isto é, não dirigido, tal como noutros concelhos, para ricos. André questiona: mas não é daí que vem o retorno do investimento?

Aqui já podemos perceber que praticamente todos os candidatos estão sintonizados com o futuro mais amigo das suas populações, o que valoriza  a sua história antiga, a sua cultura, o seu património, o seu território.

É que nem todo o investimento é interessante. Há investimentos que não se revelam benéficos, que apenas replicam os investimentos megalómanos de outros concelhos: ou um turismo de massas, que aqui seria catastrófico, ou um turismo para ricos, que adulteraria a marca cultural, única e intacta, da região.

 

A marca da região é a sua cultura riquíssima:

O património histórico e cultural, que pode ser observado e saboreado ao ritmo de quem respira um tempo que se prolonga, como passeios a pé ou de bicicleta, que não perturbam nem invadem. O bordado de Castelo Branco, a música, a gastronomia. O seu território, as freguesias circundantes. E as próprias populações.

A valorização do comércio tradicional e da indústria (azeite, queijo, etc.) é fundamental. As grandes superfícies podem trazer alguns empregos mas deixam pouco valor na região. Muito mais estruturante para uma comunidade, e interessante para o turismo cultural, são as lojas que comercializam os produtos da própria região, dos seus produtores, com a informação sobre a origem e modos tradicionais de confecção e fabrico. E, na realidade, este é um turismo cada vez mais procurado e valorizado pelos mais ricos.

As portagens da A23 são aqui referidas como obstáculo ao desenvolvimento do concelho. Considerando que as acessibilidades se dirigiram essencialmente para as rodovias, é sobretudo um obstáculo para o comércio e indústria da região. Aqui consideraria um investimento nacional na ferrovia para transporte de mercadorias.

Muito interessante a referência ao papel fundamental, para a economia e desenvolvimento do concelho, do Instituto Politécnico de Castelo Branco, cujo investimento dá retorno. A ciência e a tecnologia, bem orientadas, podem trazer projectos inovadores em várias áreas: energia solar, mobilidade, desporto, envelhecimento activo, saúde preventiva, alimentação saudável, controle de qualidade, etc.

 

O futuro de Castelo Branco pode ainda ser desenhado pelas próprias populações. E quantos concelhos podem ter esta opção?

Um futuro com qualidade de vida: onde os jovens licenciados possam fixar-se e exercer a sua actividade e/ou iniciar os seus projectos; onde as crianças se possam desenvolver harmoniosamente; onde os mais velhos possam envelhecer com a autonomia possível, mantendo-se activos e integrados na comunidade.

Um futuro com a liberdade de optar: entre o ruído (grandes superfícies, por exemplo) e o sossego (ruas do centro, esplanadas, etc.); entre os aglomerados de pessoas e os pequenos grupos; entre as réplicas e os originais. 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:51

Duas culturas empresariais: a predadora e a personalizada

Domingo, 23.07.17

 

  

Há empresas que aparecem no mercado de forma agressiva, com um dinamismo obsessivo e predador, que invadem o espaço (produtos e serviços) de outras, sem cerimónia, sem respeito pelos outros agentes, pelos colaboradores e pelos consumidores.

Ávidas de lucro rápido, organizam toda a sua máquina nesse sentido. A comunicação com o consumidor reduz-se ao convite: entra, olha à vontade, só nos interessa o teu dinheiro.

Com os sites, é a mesma coisa. São construídos para adquirir mais um produto e aderir a mais um serviço. A relação é impessoal, os contactos são para call centers, não se cria qualquer relação de confiança.

 

Há outra cultura empresarial, com origens muito antigas no mercado tradicional. Esta cultura baseia-se na afirmação da própria marca, na autenticidade e na qualidade. Existe um compromisso e responsabilidade e cria-se uma relação de confiança com o consumidor.

A comunicação com o potencial consumidor é dar-lhe a informação que ele pretende.

Os sites revelam a missão da marca, toda a informação essencial sobre produtos e serviços, os colaboradores e a sua função, é tudo personalizado.

 

Estas culturas tão diversas revelam-se na sua estratégia publicitária:

- na predadora: estamos prestes a iniciar a leitura de um artigo e surge-lhe um carro último modelo à frente dos olhos!, um obstáculo. Procuramos o botão de fechar o painel, mas há painéis que só fecham depois de alguns segundos, obrigando-nos a olhar para o carro. E se por um azar está uma pessoa a deslizar o artigo e carrega, por engano, ao lado da página, mais uma publicidade de um produto ou serviço que não lhe interessa. Outro obstáculo.

Há também a publicidade inteligente, baseada nas pesquisas efectuadas. Aparece mais discretamente, como um "olha para mim queres saber mais?" É mais aceitável, mas perturbador. É como uma impertinência de um motor de busca a intrometer-se na nossa vida. Uma pequena amostra do que nos pode ainda aparecer à frente dos olhos com a anunciada inteligência artificial;

- na personalizada: as pessoas estão em primeiro lugar, o consumidor e o colaborador. Isto irá reflectir-se na apresentação do produto e do serviço. Tudo faz parte da própria marca. A publicidade aproxima-se mais da informação detalhada do que de um anúncio. Os sites são construídos de forma a facilitar a informação pretendida, os locais, os contactos, tudo arrumado e especificado.

 

Estas duas culturas são visíveis mesmo em startups tecnológicas de produtos de última geração. A sofisticação científica ou tecnológica não esconde a cultura de base.

Vemo-las também no desenho do futuro próximo, a predadora fala-nos de automação aplicada a tudo, de robots a substituir pessoas no trabalho (e o pior é quando constroem robots em forma humana, o que revela um certo infantilismo que é pior do que simples imaturidade); a personalizada fala-nos de comunicação e proximidade, de colaboração, de relação personalizada, de comunidades, de confiança.

Quanto à dimensão, a predadora não tem limites, engole tudo à volta até monopolizar o mercado; a personalizada procura o equilíbrio e um crescimento sustentável.

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:52

O perfil de secretário-geral da ONU

Quinta-feira, 21.04.16

 

 

Pela primeira vez na ONU, que faz 70 anos, a escolha do secretário-geral faz-se através de uma selecção apertada, com audiências, debates, entrevistas.

As primeiras ocorreram este mês e as próximas serão em Maio.


Aqui já me referi à candidatura de António Guterres por ser português.

Entretanto já fui pesquisar a lista de candidatos/as.



Qual o perfil ideal de um secretário-geral da ONU?


Qual a cultura que se pretende implementar na ONU? Que tipo de reformas? Que desafios enfrenta?

O vídeo acima fala-nos de transparência, abertura às mulheres, apresentar resultados. Os grandes desafios: mobilizar para a paz, os direitos humanos, as alterações climáticas. 

Que perfil corresponde a esta cultura e a estes desafios?

Liderança, capacidade para tomar decisões difíceis e de mobilizar países e recursos. 


O percurso de cada um/uma demonstra provas dadas: como lidou com situações de emergência? Como conseguiu mobilizar países e recursos? Como foi ouvida e respeitada a sua autoridade? 

Será escolhido/a essencialmente por apresentar resultados.

 

Qualidades que facilitam a interacção, liderança, respeito: como aborda as questões essenciais? Como define prioridades? Consegue passar a sua mensagem? Promove a cultura do séc. XXI, virada para o futuro, porque os desafios são mesmo esses: que futuro?, se o dos conflitos e das catástrofes naturais, ou o da paz possível e da qualidade de vida para as novas gerações.


E há a questão política que também vai pesar. Candidatos/as que são considerados com reservas pelo bloco ocidental e outros/as pelo bloco oriental. Não sei se também haverá um bloco norte e um bloco sul, mas tudo isto entrará na decisão final. 


Em todos os processos de selecção de candidatos que elaborei, penso ter conseguido a objectividade necessária. Por vezes tive candidatos posicionados em ex aequo e nessa circunstância é a empresa que tem a decisão final.

Neste caso da escolha do próximo secretário-geral da ONU, dei comigo a pesar na balança estas condições: "português" e "mulher", porque sou portuguesa e mulher. Como se estas duas características, por si só, tivessem qualquer peso.

A abertura a candidaturas de mulheres na cultura da mudança que se quer implementar na ONU é muito importante, até porque somos 51% da população mundial. 

No entanto, o "factor mulher" só deve ser ponderado em segundo lugar. As capacidades e qualidades únicas de cada candidato/a é que terão de prevalecer. O seu percurso. As provas dadas. A obtenção de resultados.


Até ver, a minha pesquisa sobre os/as candidatos/as tem-me levado a algumas surpresas agradáveis.

 

 

 

 

Post publicado n'A Vida na Terra.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 14:05

Como lidar com a cultura autoritária da CE e do Eurogrupo?

Terça-feira, 08.03.16

A CE e o Eurogrupo nunca poderiam permitir que um orçamento que segue uma orientação diferente da austeritária pudesse funcionar. Para boicotar essa possibilidade utilizaram várias estratégias, ao nível interno, através do PSD e do CDS, e ao nível internacional, através da vinda da troika e dos avisos das agências de rating. Finalmente, ao falharem estas linhas da frente, resolveram bater o pé na comissão e no Eurogrupo.


Qual é o argumento do comissário e do presidente do Eurogrupo? Nós é que definimos a necessidade de medidas adicionais que têm mesmo de ser implementadas. Será este argumento razoável? Não. Trata-se da continuação da cultura autoritária da CE e do Eurogrupo.


Há esperança, no entanto, para o nosso pequeno país plantado no oeste da Europa. Pela primeira vez em democracia temos uma cultura de colaboração entre o governo e o Presidente e, em breve, entre as diversas instituições públicas. Esta cultura é fundamental para que tudo funcione melhor.


Sabe bem ver, para variar, que estamos a navegar de novo à frente, a absorver o ar fresco de quem vai à frente, a aprender a viver no séc. XXI, na cultura própria do séc. XXI, no seu ritmo próprio. Os jovens começarão a ver as suas ideias aproveitadas e valorizadas. Veremos equipas heterogéneas, em idade e formação, funcionar em todas as áreas do conhecimento e da tecnologia. E, se tudo correr mesmo bem, as mulheres verão os seus salários equiparados aos dos homens. Seremos, para variar, um exemplo a seguir.

 

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:03

Mulheres na política activa e a necessidade de actualizar a percepção da realidade

Terça-feira, 14.05.13


Hoje trago mais um exemplo de uma mulher na política activa: Elizabeth Warren, senadora dos States.

Quando destaco o papel das mulheres na política activa não é no sentido de uma competição com os homens na política activa, mas para valorizar o seu lugar e o seu papel nas decisões que têm uma influência enorme na vida das pessoas.

Como neste caso desta senadora que exprime o que muitos homens não têm interesse nem coragem de referir: Wall Street continua a ser favorecida relativamente à vida dos cidadãos que trabalham, neste caso específico, ao futuro dos jovens estudantes. A finança continua a sobrepor-se à economia.

Aliás, esta rendição governamental ao poder da finança já tinha sido percebida quando se correu a salvar os dinossauros da falência sem lhes ser exigido nada em troca. Quem acabou por ficar a pagar foi a economia e o trabalho.


Matt Damon já tinha revelado o seu descontentamento com esta faceta oculta de Obama, que tanto decepcionou quem nele esperou a tal mudança (we can change... we can change... we can change) para ficar tudo na mesma. As suas opiniões levaram-no mesmo a ser ridicularizado pelo próprio Obama. Ridicularizar, humilhar em público é, aliás, uma das estratégias da linguagem do poder. Em vez de responder directamente ao que está em causa, atira-se ao lado.


É interessante também acompanhar o que alguns analistas têm verificado: os democratas no poder conseguem ser piores para a economia e o trabalho do que os republicanos, no sentido da rendição governamental a Wall Street. Alguém chegou mesmo a dizer que há reformas que só com o sorriso dos democratas conseguem ser aceites, isto é, nunca passariam com o discurso seco dos republicanos.

Aqui sorriso = capital que ainda resta da credibilidade, o que ainda é percebido como sendo a cultura de base dos democratas, isto é, defender as pessoas, o trabalho, as minorias, os mais frágeis da sociedade, perante os grandes grupos económicos e financeiros. Ironicamente, dizem os especialistas que foi com Bill Clinton que se acelerou a desregulamentação do mercado financeiro: Wall Street tomou conta.


Cá está um dos grandes enganos da política: a percepção da realidade terá de ser sempre actualizada com a observação da acção política concreta.


 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:23

Um bébé real

Quinta-feira, 06.12.12

 

Já aqui referi este casal tão simpático, logo após o anúncio do noivado. Lembraram-me, na sua simplicidade, tudo aquilo que os tempos actuais desvalorizam: a espontaneidade, a autenticidade, a alegria. 

Entretanto, saltei aqui a cerimónia do casamento, que foi magnífica, como todos sabem. Mas hoje venho registar a notícia esperada: um bébé real.

 

 
Céus!, já me sinto a Miss Marple, encantada com as notícias felizes de bébés a caminho. Mas numa Europa em declínio e decadência acentuada, a todos os níveis, estas são as únicas notícias que vale a pena registar aqui. Notícias felizes, viradas para o futuro.
 
 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:55

Natal: o milagre da vida

Domingo, 25.12.11

 

Hoje é em todas as crianças que penso, o milagre maior da vida nesse menino que hoje adoramos. É essa a mensagem deste dia que nasceu assim cheio de sol, de um sol magnífico!

 

Gosto de metáforas e a natureza dá-nos as metáforas que fazem mais sentido: depois da noite misteriosa de ontem, noite tranquila e silenciosa, em que uma luz nos guia, rodeados de um amor maternal, abrangente e pacífico, nasce o dia, alegre e magnífico, virado para a vida vibrante e para o futuro.

Reparem na metáfora: noite misteriosa, tranquila e silenciosa - amor maternal e abrangente, que cria e aconchega; dia de sol, alegre e magnífico - vida vibrante e alegre, virada para o futuro.

E em relação à luz: nessa noite misteriosa é uma estrela longínqua que nos guia até esse lugar, para não nos perdermos no caminho, protectora como o amor maternal; uma outra estrela ilumina o dia que nasce, alegre e ousado, como são todos os meninos a querer conhecer o mundo e a sorver plenamente a vida.

 

Esta é a lógica da vida: o amor na origem da vida dá o impulso necessário para o futuro. É por isso que esta rotina anual, o Natal, pode ser estruturante, mesmo para os que gostariam de lhe escapar.

Se estivermos intencionalmente receptivos a olhar para nós e por nós próprios, amorosamente disponíveis para aprender alguma coisa de novo nesta vida que passa a voar por nós, vemos outra dimensão do Natal, a nossa própria dimensão. Todas as luzes artificiais a piscar e o marketing em inglês colado nas montras (be happy, life is good, I wish), todos os sons martelados nas lojas e corredores, todo esse vaivém de compras de última hora nos vai parecer um filme em que somos apenas espectadores. Tudo fica em câmara lenta como nos filmes, e sentimos o nosso próprio coração aquietar-se, a encher-se de uma alegria já esquecida, e os nossos olhos iluminam-se e adoçam-se, somos de novo essa criança virada para o futuro, cheia de curiosidade, generosidade e sonhos, mas também somos a mãe protectora e tolerante, que cria e aconchega para depois acompanhar de cada vez mais longe, e tudo volta ao seu lugar, chegamos a casa.

 

O milagre da vida é a mensagem do Natal. Viramo-nos hoje para um futuro possível, onde as crianças têm o lugar certo para crescer: protegidas e acarinhadas, e viradas para o futuro melhor possível para si, um caminho adequado à sua curiosidade, generosidade e sonhos. 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:26

A cultura pueril não gosta de crianças e muito menos de velhos

Domingo, 18.07.10

 

Esta constatação fi-la já há muito tempo, mas hoje é com enorme perplexidade que a repito aqui. Perplexidade, pela indiferença geral relativamente a esta completa ausência de sensibilidade e de responsabilidade da cultura pueril em relação a estas duas fases fundamentais de uma comunidade: a infância (as promessas de futuro, a lógica da continuidade da vida, a inteligência viva e desafiadora) e a velhice (a experiência, a sabedoria, as sínteses, as histórias, a memória). Uma comunidade sem crianças nem velhos  está condenada.

Um exemplo surpreendente da indiferença geral (com algumas excepções de pais preocupados e de um ou dois jornalistas atentos): o fecho previsto de quase mil escolas pelo país fora. A criançada deve ser desenraizada das suas comunidades para melhor aprender a ser modernaça.

Um exemplo do cinismo em relação aos mais velhos: a forma pueril como se fala da morte antecipada.

 

A cultura pueril vive no eterno presente, não quer envelhecer. Ela própria comporta-se como criança mimada, logo deve ser o centro das atenções. Deve cuidar de si, da sua pele, evitar as rugas, ter as mordomias todas que o dinheiro pode adquirir. Dar-se a todos os luxos e extravagâncias, não ter limites para as suas fantasias pueris e caprichosas. No seu mundo não há limites para nada, nem para os seus desejos impulsivos: quero e obtenho.

Onde é que a criança entra aqui? Como um objecto maleável à nossa imagem e semelhança, um protótipo de alguém modernaço como nós. Alguém que podemos treinar para macaquear sucessos escolares e desportivos para mostrar aos amigos pueris como nós. Crianças precocemente envolvidas nas questões modernaças da cultura pueril.

E os velhos? Deles quer distância. A velhice é uma doença a evitar e há sítios próprios, há soluções. São essencialmente um fardo, uns chatos. Já não produzem e o que produziram já passou de prazo. O passado não interessa. Nós somos o futuro, nós os modernaços.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:15








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